Better Man – A História de Robbie Williams |Crítica
Ousado, performático e emocionalmente intenso, “Better Man – A História de Robbie Williams” entrega um musical com muita criatividade. Sendo fã do cantor ou não, é impossível desviar os olhos da tela diante do retrato eletrizante de um dos maiores astros do pop.
O diretor Michael Gracey (“O Rei do Show”) faz um trabalho impecável ao contar a história de Robbie Williams e sua relação com a fama. De cara, dar vida ao cantor através de um macaco em GCI pode até parecer loucura.
Mas nas telas, a ousadia se traduz em criatividade visual e metáforas poderosas sobre a luta interna do artista com sua própria imagem pública.
Somos apresentados a ele ainda pequeno, performando em frente à TV ao lado do pai (Steve Pemberton), grande fã de Frank Sinatra. Peter abandona a família para tentar ganhar a vida nos palcos como musico e se torna comediante de stand-up.
Morando com a avó e com a mãe, vemos o início de Robbie na “Take That”, boyband que o impulsionou para a fama nos anos 90 sob a rígida gestão de Nigel (Damon Herriman).
Também acompanhamos sua conturbada saída, marcada por conflitos internos, abuso de álcool e drogas e uma necessidade incessante de aceitação.
Aliás, o abandono paterno e o desejo de validação tornam-se fios condutores na jornada emocional do cantor. Ele encontra nos palcos refúgio—e, ao mesmo tempo, uma prisão.

“I just wanna feel real love“
A segunda metade da história foca em sua carreira solo meteórica. Suas relações pessoais, incluindo o namoro com Nicole Appleton (Raechelle Banno), a volta do pai por puro interesse e a batalha constante entre o ego e a insegurança.
O filme evita romantizar seus excessos ou cair na armadilha da condenação moralista, apostando em uma abordagem que equilibra a grandiosidade do astro com a fragilidade do homem por trás dos holofotes.
Visualmente, “Better Man” não teme flertar com a fantasia. Usa sequências coreografadas para traduzir a turbulência mental de Williams, enquanto o CGI acompanha até mesmo suas mudanças visuais ao longo dos anos. A superprodução rendeu uma indicação ao Oscar de Melhores Efeitos Visuais.
A trilha sonora, repleta de hits como “Feel“, “Angels” e “My Way“, não apenas impulsiona a narrativa, mas também reforça a natureza da música em sua vida. Inclusive, a história traz muitos momentos emocionantes através das canções, despertando choros (de soluçar!) no público.
Também trazendo curiosidades de bastidores para as telas, o filme também traz sua rivalidade com Liam Gallagher, da banda “Oasis”, no qual o desafiou para uma luta de boxe em 2000.
Com uma abordagem ambiciosa e uma execução visualmente deslumbrante, “ Better Man – A História de Robbie Williams” não é apenas uma cinebiografia, mas uma experiência cinematográfica que ressoa. Seja nos palcos ou na tela, Robbie Williams nunca foi um artista previsível — e seu filme não poderia ser diferente.