Como Treinar o Seu Dragão | Crítica
Em meio a tantos live-actions decepcionantes, “Como Treinar o Seu Dragão“ dá aula sobre como respeitar a essência de uma animação, além de trazer ainda mais emoção à história de Soluço e Banguela, 15 anos após o longa conquistar o coração de milhares de fãs.
Com o retorno de Dean DeBlois na direção, a adaptação da DreamWorks nos leva de volta à Ilha de Berk — terra de vikings e dragões em guerra há gerações. Pela tradição, os dragões são vistos como ameaças que precisam ser eliminadas.
Filho do chefe da aldeia, Soluço sonha em ser um guerreiro respeitado, capaz de derrotar dragões para impressionar o pai. Mas tudo muda quando ele consegue atingir Banguela, um raro dragão “Fúria da Noite”.
Ferido, Banguela está à mercê de Soluço, que se prepara para cumprir sua missão, até perceber que a criatura teve a chance de matá-lo e não o fez.
A partir daí, nasce uma amizade improvável que desafia tudo o que Soluço aprendeu sobre coragem, honra e convivência com os dragões — e que abala as crenças mais profundas da sociedade viking.

Emoção e cenários que impressionam
O filme acerta em cheio ao conectar as emoções dos personagens com o público. Mesmo com diálogos bem humorados, o longa se destaca por trazer emoção dentro de discussões pertinentes, como a relação entre pais e filhos, o poder transformador da amizade e empatia, e a coragem de ser diferente.
Aliás, o elenco é um dos grandes acertos do longa. Além de Mason Thames (“O Telefone Preto“) como Soluço, temos Gerard Butler (“300“) como Stoico, e Nico Parker (“The Last of Us“) como Astrid.
Mason Thames entrega carisma e todos os trejeitos do personagem. Ele transita com naturalidade entre medo e bravura, doçura e ousadia, mantendo viva a essência do protagonista que conhecemos na animação.
A atriz Nico Parker também se destaca como Astrid. Forte, inteligente e excelente guerreira, ela dá vida a uma viking determinada.
Sua personagem ganha ainda mais força à medida que se aproxima de Soluço e compreende a verdadeira natureza dos dragões. Ela também não hesita em desafiar as autoridades de sua própria comunidade, mostrando que sua lealdade está com a verdade.

Outro acerto é o visual. Os cenários e figurinos são certeiros ao serem recriados, assim como os dragões, trazidos à vida por um CGI impecável. A textura, os movimentos e até a expressividade das criaturas impressionam.
Altamente imersivas, muitas cenas dispensam óculos 3D e dão um frio na barriga por si só. Em alguns momentos, dá a sensação de realmente estarmos montados em um dragão. A cena do primeiro voo do Soluço é pura emoção!
Mostrando que ainda é possível fazer um bom live-action, “Como Treinar o Seu Dragão” emociona e diverte ao recontar uma história simples, mas que fala direto ao coração.

