Animais Perigosos | Crítica
À primeira vista, “Animais Perigosos” parece mais um filme de ataque de tubarão, daqueles em que jovens despreocupadas viram alvo fácil de predadores em alto mar.
Mas a verdade é que a ameaça maior não vem das águas, mas sim de um serial killer perturbador que transforma o habitat dos tubarões em um espetáculo sangrento.
A trama dirigida pelo australiano Sean Byrne, acompanha Zephyr (Hassie Harrison), uma surfista que, após conhecer o simpático Moses (Joshua Heuston), vê sua vida virar um pesadelo quando é sequestrada por Tucker (Jai Courtney).
Obcecado por tubarões desde que sobreviveu a um ataque na infância, Tucker atrai turistas para seu barco, prende as vítimas e registra cada segundo de terror enquanto são devoradas em alto-mar. O tubarão ataca enquanto Tucker se alimenta do medo.
A trama aposta num suspense com jumpscare e até mesmo um romance crescente. Achando que ninguém vai procurá-la, na verdade, Moses contacta todas as autoridades após o desaparecimento da crush que conheceu a apenas há algumas horas.
O verdadeiro monstro não está no mar
O ambiente também funciona a favor da tensão. O mar aberto e inescapável, contrasta com o espaço claustrofóbico do barco. Algemada e sem saída, Zephyr encontra marcas de vítimas anteriores riscadas na parede, como se já desse um spoiler de sua sentença.
Tucker tem um prazer doentio em assistir sua coleção de fitas VHS, onde registra o horror: de um lado, a pessoa sendo estraçalhada pelos tubarões; do outro, a “plateia” forçada a assistir cada segundo do massacre.

Jai Courtney entrega um bom vilão. Tem um jeito de ser apenas um cara babaca inconveniente, mas quando em alto mar, também assume um lado sádico e doentio.
Já a protagonista, apesar de não entregar uma grande atuação, é durona. Zephyr não cede mesmo nos momentos mais perturbadores e faz o que for preciso para sobreviver.
Mas em boa parte do tempo, o filme não se leva a sério. Da metade para o final, a história começa a se tornar previsível e forçar a barra para a protagonista “durar” até o fim. A invencibilidade do serial killer também chega a ser irritante.
“Animais Perigosos” é uma farofada divertida para passar o tempo. No fim das contas, o tubarão é só um coadjuvante. O verdadeiro perigo está a bordo.

