Entrevista| Diretora Susanna Lira fala sobre adultização de influencers mirins
Já está nos cinemas brasileiros “Salve Rosa“, novo trabalho da diretora Susanna Lira, que mergulha em um tema urgente: a exploração e superexposição de crianças nas redes sociais.
Na trama, a jovem Rosa, de 13 anos, é assessorada pela mãe e desde muito nova vive sob holofotes, mas fora das câmeras, a realidade é de opressão e controle.
A menina sofre uma relação tóxica e opressiva dentro de casa. Rosa é obrigada a trabalhar e gravar diariamente, e o resultado disso é uma infância interrompida.
Durante um bate-papo sobre o filme, Susanna Lira falou sobre o impacto dessa superexposição infantil e a falta de limites nas redes sociais.
A diretora considera chocante quando a família coloca uma criança para ser a fonte provedora da casa e os próprios pais param de trabalhar para viver em função do trabalho infantil.
“O que acontece com os influencers mirins hoje, é que além de não terem escolhido isso, não tem a menor regulamentação. Uma criança trabalha 24 horas por dia se os país quiserem. Tem criança que mal sabe falar fazendo propaganda de banco“, declarou.
Susanna explicou que o audiovisual tem um conjunto de regras rígidas, que envolvem juizado de menores e avaliação com psicólogo. “Mesmo assim, sabemos o dano de uma criança famosa exposta. É muito complexo“, disse.
A denúncia do influenciador Felca sobre a exploração de menores na internet gerou um debate muito grande e mobilizou até o Planalto sobre a regulamentação das redes sociais.
Para Suanna, o que o Felca fez é foi muito importante. “A mensagem do filme é que a gente pode proteger as crianças dessa exploração, regulamentando o trabalho infantil. Não pode ser um faroeste sem lei. Eu tenho esperança que o filme cause esse impacto e reflexão“, disse a diretora.

