Série sobre Ângela Diniz reacende debate urgente sobre feminicídio
Quase 50 anos após o assassinato de Ângela Diniz, sua história volta a provocar reflexões com a nova série original da HBO Max, “Ângela Diniz: Assassinada e Condenada”.
Os dois primeiros episódios estrearam nesta quinta-feira (13) e reacendem o debate sobre feminicídio no Brasil.
Andrucha Waddington dirige a produção, adaptada do podcast “Praia dos Ossos“, da Rádio Novelo. A trama mostra como Ângela enfrentou o machismo e o peso do patriarcado ao longo da vida.
Doca Street, seu ex-namorado, foi o responsável pelo crime, e usou a tese da “legítima defesa da honra”, considerada inconstitucional pelo STF apenas em 2023.
Com seis episódios lançados semanalmente, a série tem um elenco de peso, protagonizados por Marjorie Estiano e Emílio Dantas.
Entrevista com elenco
Em uma coletiva de imprensa em São Paulo, os atores reforçaram como o tema permanece atual. Afinal, no Brasil, uma mulher é assassinada a cada 17 horas.
Para Marjorie, o fato da personalidade de Ângela Diniz ser muito livre, é inovador não só para as suas personagens, mas de um modo geral. “As personagens femininas não são construídas para sentir prazer, estão sempre ali para sofrer“, disse a atriz.
Filmada no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, a série usa contrastes de cores para representar as diferentes fases da vida da protagonista, desde a busca por liberdade até o peso das consequências impostas pela sociedade.
Uma delas é Ângela perder a guarda da filha por simplesmente pedir o divórcio. Ela só desejava ser livre em uma época que não admitia essa autonomia feminina.

O tempo mudou tanto assim?
O ator Emílio Dantas fez um paralelo com os tempos atuais. Segundo ele, Doca provavelmente estaria no Congresso, com uma equipe de marketing, enquanto a internet cancelaria Ângela.
A atriz Camila Márdila, interpreta Lulu Prado, amiga da protagonista, acredita que a cena do julgamento dividirá muitas opiniões. “Muita gente vai contemplar Ângela, mas muitos vão falar: ‘hm, acho que ela merecia’, e essa pessoa vai morder a própria língua“, reforçou.
O elenco também conta com Antônio Fagundes, como o advogado e ex-ministro Evandro Lins e Silva, Thiago Lacerda como o colunista social Ibrahim Sued; Thelmo Fernandes como Milton Villas Boas, o primeiro marido de Ângela; Joaquim Lopes como Tuca Mendes, amante da socialite; e Yona de Novaes como a mãe de Ângela, Maria Diniz.
“Ângela Diniz: Assassinada e Condenada” é um retrato sensível e necessário de uma mulher punida por tentar viver nos seus próprios termos e um lembrete atual de que a sociedade continua absolvendo homens e condenando mulheres até hoje.

