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Michael | Crítica

Uma das cinebiografias mais aguardadas, “Michael” chega aos cinemas com a difícil missão de revisitar a trajetória de Michael Jackson, do talento precoce no Jackson 5 ao posto de rei do pop.

Dirigido por Antoine Fuqua (Sete Homens e Um Destino), o longa é uma experiência musical, quase um show cinematográfico. É impossível ficar quieto na cadeira enquanto os principais hits embalam a narrativa.

O filme introduz aos bastidores por traz de “Thriller“, “Beat It“, entre várias outras canções que são sucessos mundiais até hoje. Mais do que contar sua trajetória, a trama tenta fazer o público sentir seu impacto. E consegue, principalmente por causa de Jaafar Jackson.

Sobrinho do cantor, ele incorpora os trejeitos, os movimentos precisos e a presença de palco. Tudo impressiona. Sua atuação sustenta o filme, principalmente nos momentos em que o roteiro escolhe caminhos mais seguros.

A narrativa também explora a relação conturbada com o pai, Joe Jackson (Colman Domingo), retratado como uma figura rígida e violenta na vida de Michael, além de obcecado pelo sucesso dos Jackson.

Créditos: Divulgação / Universal Pictures

Privado de viver sua infância e em busca de superar as expectativas, Michael vive uma solidão profunda. Já adulto, ele molda seu próprio mundo dentro de um quarto lotado de brinquedos, numa casa cheia de animais e imerso na história de Peter Pan, o garoto que nunca cresceu.

A referência a Neverland aparece como simbologia de um sonho distante. Para quem não conhece, ela foi a icônica casa e parque de diversões particular de Michael Jackson entre 1988 e 2005.

Além disso, também há destaque para as ações de caridade do cantor, as visitas a crianças com câncer e as doações milionárias feitas a hospitais, após ele ficar internado ao sofrer queimaduras de terceiro grau em 1984, durante a gravação de um comercial da Pepsi.

O palco brilha, mas os bastidores ficam em segundo plano

Como já era de se esperar, o filme prefere o espetáculo às polêmicas. No final do filme, surge o anuncio: “a história de Michael continua”, abrindo espaço para uma possível continuação.

A expectativa é que temas mais delicados, como sua prisão em 2003, sejam abordados em um segundo filme, até porque o primeiro encerra com os shows da turnê ” Bad”, em 1988.

Créditos: Divulgação / Universal Pictures

Fica nítida a tentativa de não entrar em nenhuma “zona de perigo” e preservar o mito. O início do vitiligo de Michael e as cirurgias estéticas, como as primeiras transformações faciais e a busca pela perfeição, são tratadas de forma sutil.

Ainda assim, é inegável é o talento do cantor para a arte. Sua ascensão assistida nas telonas certamente deixarão os fãs felizes (o IMAX proporciona uma experiência ainda maior). A vontade de cantar e dançar junto é real!

No fim, “Michael” entrega um espetáculo nas telonas e um retrato fascinante de um talento fora da curva. O filme escorrega ao tentar transformar em imaculada a imagem do homem por trás da lenda, mas ainda assim vale o ingresso pela imersão musical e pela força de suas performances.

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