Homem-Aranha: Um Novo Dia| Crítica
Atraindo mais de 1 milhão de espectadores em seu primeiro dia de estreia no Brasil, Homem-Aranha: Um Novo Dia escolhe explorar o lado mais sombrio e solitário de Peter Parker (Tom Holland) e é justamente aí que ele acerta.
Desde que as memórias de MJ (Zendaya) e de seu melhor amigo, Ned Leeds (Jacob Batalon), foram apagadas em “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa“, de 2021, Peter vive completamente sozinho. Sem a Tia May (Marisa Tomei), ele perdeu todas as pessoas que davam sentido à sua vida.
Agora, o protagonista acompanha os amigos pelas redes sociais, como um completo estranho, enquanto vê ambos seguirem em frente, se formando na faculdade e construindo uma vida da qual ele não faz mais parte.
Enquanto segue focado no trabalho, esse vazio emocional deixa de ser apenas um conflito interno. Agora, passa a afetar o corpo e a mente de Peter.
O novo lado do Homem-Aranha
O abalo é tão grande que seu DNA começa a sofrer mutações. Seus instintos aracnídeos se intensificam, seu sentido de aranha atinge outro nível e o corpo passa até a produzir teia orgânica.
E quando os sentidos entram em colapso, o público também sente esse impacto. O som se intensifica, a visão perde o foco e tudo parece caótico, como se estivéssemos na cabeça do personagem enquanto ele tenta entender o que está acontecendo.

A mudança também torna o herói mais violento. As constantes dores de cabeça e a dificuldade para controlar os próprios poderes fazem com que Peter procure Bruce Banner (Mark Ruffalo).
Ele busca mais informações sobre o inibidor, item usado pelo cientista para controlar o Hulk e elemento importante para o desfecho da trama.
Enquanto tenta controlar essa transformação, Peter ainda tem que lidar com Jean Grey (Sadie Sink), a poderosa mutante telepata dos X-Men.
Sadie traz muita intensidade e carga emocional no papel. Transitando entre o passado e o presente, a personagem é fundamental para a história e dona da maior reviravolta.
Certamente, a personagem é um dos grandes acertos do filme, assim como a escolha dos coadjuvantes.
Os aliados do Amigão da Vizinhança
A atriz Liza Colón-Zayas interpreta a policial Jean DeWolff, que se divide entre combater o crime ao lado do Homem-Aranha e o papel de mãe.
Aos poucos, ela acaba ocupando um espaço quase maternal na vida de Peter, oferecendo à distância os conselhos e o acolhimento que ele tanto perdeu.
Quem também rouba a cena é o ator Jon Bernthal como Justiceiro. Ele e o Homem-Aranha são completamente os opostos um do outro e é isso que funciona tão bem na dupla.

Vale ressaltar que tanto Liza quanto Jon vêm da série “The Bear”, vencedora de vários Emmys. Já Florence Pugh, como Yelena Belova, faz uma participação divertida, protagonizando alguns momentos leves ao lado do Homem-Aranha exibindo seu tanquinho.
Dirigido por Destin Daniel Cretton, Homem-Aranha: Um Novo Dia é o filme visualmente mais bonito da franquia estrelada por Tom Holland.
Os enquadramentos durante os voos de teia impressionam e dão ao público a sensação de velocidade e vertigem durante os saltos entre os arranha-céus de Nova York.
As cenas de luta também são bem coreografadas e dinâmicas. Certas cenas arrepiam, como a luta com os ninjas vermelhos do Tentáculo.
Além disso, a história reforça o quanto Peter Parker sempre foi tão importante quanto o Homem-Aranha e o personagem finalmente dá espaço para o lado humano e o herói coexistirem.
Homem-Aranha: Um Novo Dia entrega uma experiência que faz o público se divertir e, principalmente, se emocionar, trazendo a atuação mais madura e convincente de Tom Holland desde que vestiu o uniforme pela primeira vez.

