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Juntos | Crítica

O que você faria se ficasse literalmente grudado ao seu parceiro? É essa a premissa bizarra e perturbadora de “Juntos“, novo terror distribuído pela Diamond Films, que transforma a codependência em puro body horror.

Na trama dirigida por Michael Shanks, Tim (Dave Franco) e Millie (Alison Brie), casal na vida real, vivem uma relação morna. Ela é professora; ele, um músico frustrado com o sonho de se tornar rockstar.

Quando Millie conquista um novo emprego no interior, eles decidem deixar tudo para trás e recomeçar, sem imaginar o que isso irá desencadear.

Durante a noite, um acidente prende o casal em um poço, e quando Tim bebe a água do local, tudo muda: ao acordarem, eles estão grudados pelas pernas.

Mesmo após estarem desgrudados, Tim começa a apresentar comportamentos estranhos, e sua necessidade obsessiva e urgente de estar ao lado da esposa invade o espaço na relação.

Na escola, o enigmático Jamie (Damon Herriman), novo colega de trabalho de Millie, traz uma reflexão filosófica descrita por Platão na obra “O Banquete”.

A história conta que os humanos eram originalmente duas metades de um mesmo ser, unidos como um único corpo. Após serem divididos pelos deuses, cada metade passou a buscar sua outra metade, o que seria a origem do amor.

Juntos
Créditos: Divulgação / Diamond Films

Quando o pior pesadelo de um casal se torna ficar preso um ao outro

Em “Juntos”, a codependência do casal é levada ao extremo e se transforma em terror quando os corpos dos protagonistas querem realmente se fundir.

As cenas provocam um misto de expectativa e repulsa: impossível desviar da tela para saber o que vai acontecer, mas também impossível não querer fechar os olhos.

Alison Brie e Dave Franco funcionam muito bem juntos e o fato de serem um casal na vida real potencializa a química em cena, até mesmo em momentos íntimos e bizarramente desconfortáveis.

O filme explora o body horror de forma intensa, com braços serrados, partes do corpo grudando e deformações grotescas, enquanto intercala sustos inesperados com momentos cômicos e até românticos, criando um clima, no mínimo, estranho e curioso dentro do gênero.

A história foge do padrão tradicional do terror, mantendo tensão do começo ao fim, mas não consegue escapar de grandes tropeços.

Por fim, a trama não se aprofunda nas explicações, deixando o espectador sem entender contextos importantes da narrativa, que fica entregue à imaginação do público. O final — sem spoilers — é tão preguiçoso quanto a falta de justificativa.

Juntos” parte de uma premissa instigante, na verdade, um verdadeiro surto. O filme se esforça, mas a execução não chega a atingir seu potencial. Entre cenas de repulsa e momentos risíveis, o espectador se pergunta se o próprio filme se leva a sério. A resposta, provavelmente, é não.

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