Mauricio de Sousa – O Filme | Crítica
Assistir “Mauricio de Sousa – O Filme” é como imergir nos quadrinhos e assistir a criação da sua infância (ou do responsável por ela). Carregado de emoções e nostalgia, o longa é uma homenagem à genialidade e ao talento do quadrinista que marcou gerações.
Na primeira parte, conhecemos Mauricio ainda criança, interpretado pelo carismático ator mirim Diego Laumar. É encantador ver o amor dele pelos gibis, a relação próxima com a família e o surgimento da imaginação que daria vida ao seu talento.
Na segunda parte, acompanhamos o início de sua carreira: o momento em que ele deixa o interior, em Santa Isabel, e parte para São Paulo em busca de seu sonho.
Acompanhamos os “nãos” que recebeu ao longo do caminho, mas também um sim que o levou ao altar, e ao lado da nova família deu origem a muitos de seus personagens.
Interpretado pelo próprio filho, Mauro Sousa (que fez questão de trazer os trejeitos do pai), Mauricio aceitou trabalhos como repórter policial e revisor de textos. Não por desistência, mas para abrir caminho ao que mais ama: desenhar.

O nosso “dono da rua”
O longa é carregado de emoção e encanta quem cresceu fã da Turma da Mônica. Acompanhamos seu processo criativo, descobrimos como o Bidu virou um cachorro azul e como nasceram Mônica, Magali e outros personagens, inspirados dentro da sua própria casa.
Há também uma homenagem ao saudoso Ziraldo. Amigos de longa data, vemos como o primeiro encontro entre eles foi decisivo para o início da carreira de Mauricio.
A direção de Pedro Vasconcelos faz o espectador mergulhar na história ao utilizar a câmera quase sempre estática. É como se estivéssemos assistindo a história dentro de um gibi.
O filme ainda entrega muito fan service ao inserir quadrinhos com as vozes originais dos personagens, criando momentos mágicos.
Conhecemos não apenas um artista genial, mas também o homem doce e humilde por trás de uma obra que marcou a cultura brasileira. O elenco estrelado por Elizabeth Savalla (vó Dita) e Emílio Orciollo Netto (Seu Antônio, pai de Mauricio) entrega cenas emocionantes, mostrando a base afetiva e apoio que moldou o quadrinista.

Créditos: Divulgação / Vantoen Pereira Jr.
Já a atriz Thati Lopes, como Marilene, primeira esposa de Mauricio, acrescenta humor ao longa. É impossível não rir com suas cenas. Contudo, a história também mostra como ela cuidou da casa e da família para que Mauricio pudesse crescer profissionalmente.
A trilha sonora, repleta de canções nacionais, dá um toque especial ao filme, principalmente ao tocar “Aquarela”, de Toquinho, um momento carregado de sentimento.
“Mauricio de Sousa – O Filme” é um convite à imaginação, à criatividade e a nunca desistir dos sonhos. Com uma aparição especial e emocionante do próprio Mauricio, a vontade é sair da sala de cinema e voltar direto para a infância, nas páginas dos quadrinhos que marcaram gerações.

