O Auto da Compadecida 2 | Crítica
Após 24 anos do clássico nacional estrear nos cinemas, a sequência “O Auto da Compadecida 2” dá continuidade as aventuras de Chicó (Selton Mello) e João Grilo (Matheus Nachtergaele).
Na nova trama dirigida por Flávia Lacerda e Guel Arraes, Chicó, agora vendedor de santinhos esculpidos em madeira, narra em poemas a história de como João Grilo, com a ajuda de Nossa Senhora, teria voltado à vida.
Desaparecido há duas décadas, Chicó está convencido de que seu amigo já morreu novamente. Porém, João Grilo retorna à cidade de Taperoá, no sertão nordestino, e se transforma em uma espécie de santo e celebridade local.
Após se envolver na candidatura do Coronel Ernani (Humberto Martins) e do radialista Arlindo (Eduardo Sterblitch) à prefeitura, João Grilo aumenta a tensão entre eles. Unindo forças, os dois amigos buscam tirar vantagem da situação e colocar o “messias nordestino” como prefeito.

Crítica afiada à manipulação das classes populares
A crítica social presente na obra genial de Ariano Suassuna segue forte no segundo filme, desta vez, focando na hipocrisia das instituições religiosas e políticas.
“O Auto da Compadecida 2” também mantém a fórmula que fez do primeiro filme um grande sucesso. Com o avanço dos meios de comunicação, a história se atualiza acompanhando a evolução, mas sem perder a magia e o encantamento do cordel.
Embora seja inevitável comparar com o primeiro filme, a sequência é um acerto e consegue honrar o legado do original. A química entre Matheus Nachtergaele e Selton Mello em cena continua perfeita.
Mantendo a essência distinta dos personagens — o astuto João Grilo e o medroso Chicó — a forma como ambos são interpretados é cativante e profunda, trazendo camadas emocionais que enriquecem ainda mais a dinâmica entre eles.
Personagens como Joaquim Brejeiro (Enrique Diaz), responsável por atirar em João Grilo, e Rosinha (Virginia Cavendish) o grande amor de Chicó, também estão de volta. Mas novos personagens importantes integram o elenco para contar a história.
Um dos destaques é Luís Miranda, como o carioca Antônio do Amor. Chamado à cidade por João Grilo, ele se passa por um bispo — que não dispensa uma cachaça — para convencer o povo de que a história de João Grilo é apenas uma lenda.
Fabiúla Nascimento como a deslumbrada Clarabela Catação filha do Coronel, também integra o elenco. Agora, Taís Araújo interpreta Nossa Senhora, vivida por Fernanda Montenegro na primeira versão.
Assim, “O Auto da Compadecida 2” não é só uma continuação. O filme celebra a obra original que marcou gerações, ao revisitar os personagens amados do cinema e ao trazer de volta a atmosfera do sertão nordestino sob os olhos de Chicó e João Grilo.
Assista ao trailer: