Moana | Crítica
Revisitar grandes sucessos virou uma das principais apostas dos estúdios, mas nem todo longa precisa de uma nova versão tão cedo.
O live-action de “Moana” chega aos cinemas apenas dez anos após a animação original, que foi um grande sucesso de bilheteria, e reforça essa sensação.
Para quem já conhece a animação, a nova adaptação dispensa apresentações. Dirigido por Thomas Kail (Hamilton), o filme é extremamente fiel ao original e recria praticamente cena por cena a jornada de Moana, filha do chefe da ilha de Motunui.
A protagonista é escolhida pelo oceano para devolver o coração da deusa Te Fiti. Ao lado do semideus Maui, ela parte em uma aventura para salvar seu povo de uma ameaça que coloca toda a ilha em risco.
Pouca imersão real
O problema mais gritante está no excesso de CGI, o que deixa boa parte do filme artificial. Embora algumas cenas tenham sido gravadas no Havaí, é difícil identificar quais são, pois quase tudo parece vir de um chroma key.
Ainda assim, há momentos que conseguem se destacar. A sequência pelo esconderijo do caranguejo Tamatoa, por exemplo, é uma das melhores do longa.
Além do cenário funcionar melhor, a cena ganha ainda mais força com “Brilhe”, uma das músicas mais divertidas da produção.
Outro ponto que incomoda é a falta de cuidado com a continuidade. Moana passa praticamente o filme inteiro navegando pelo oceano e sendo lançada na água, mas, na maioria das vezes, reaparece completamente seca poucos segundos depois.
É um detalhe pequeno, mas que quebra a imersão por se repetir tantas vezes.
A nova Moana convence?
A escolha do elenco é ok. Catherine Laga’aia faz uma boa estreia em seu primeiro grande papel e transmite o carisma da protagonista.
Sua química com Dwayne Johnson, que retorna como Maui após dublar o personagem na animação, oscila em alguns momentos, mas funciona quando o roteiro aposta no humor entre a dupla.

A versão dublada tem seus prós e contras. Bia Vasconcellos e Saulo Vasconcelos como Moana e Maui entregam ótimas interpretações e fazem jus às canções que marcaram a animação.
É difícil não sentir um quentinho no coração ao ouvir “Saber Quem Eu Sou” novamente.
Contudo, nos momentos mais emocionantes das músicas, as expressões de Catherine Laga’aia parecem não acompanhar toda a intensidade das canções, o que diminui o impacto das cenas.
A família de Moana é um acerto, especialmente a atriz Rena Owen como a sábia vovó Tala. Já Pua e, principalmente, Hei Hei roubam a cena sempre que aparecem.
O live-action de Moana não é um desastre completo, entrega bons momentos, mas o problema está em replicar quase tudo, sem oferecer novidades que justifiquem um novo filme.
Talvez uma continuação inédita da história teria agradado muito mais aos fãs.

